E o vento até me lembrava o mar, que por mais perto me deixava longe. Eu caminhava numa solidão acompanhada de pensamentos que eu não podia organizar. Era frio o vento, e o mar devia ser quente. E eu precisava organizar. Não sabia ainda o porque daquela caminhada noturna, ainda mais em ambientes indevidos - deixe-me pra lá - eu precisava pensar, viver minha mente ávida. Ou apenas hiperatividade. O fato é que os pensamentos se perdiam, corriam como se estivessem em meio a uma maratona e eu as vezes parava, cambaleava tonta de mim mesma.
Eu ainda podia jurar que caminhava a beirar o mar e via as ondas lamberem-me, mas que nada. Havia ali fumaça, chuva e vento - além de pequenos tumultos, talvez, amedrontadores.
E a dança de meus pensamentos prosseguia, com seu ar de contemporaneidade, e projetos cinematográficos no meio do nada, no nada. Nada me diziam e eu nada dizia a eles, como se não pertencessem a mim. Um absurdo.
- Manequins, afins. Agulhas e rolos de lã cantavam. Eu dançava e prendada que era deixava nascer. Moldes, cortes e letras. Letras? Agora música de meus dedos, a voz saia brincando.Depois os videos, a cena, o embarque. Um palco desconexo e a festa. Muitas festas, todas festas.
O alcool, o frio, o café. O Neruda, Bandeira - Ahh Bandeira -, Allende . Uma vida inteira.Tosses, sushis, esteiras.
No fim um ponto, um turbilhão.
Ventania! -
Com um pouco mais de frio estava eu de volta, alucinada com aquele todo. Perdida e encontrada. Um nebulizador me esperava a espreita e logo a tremedeira do berotec. O silêncio da casa, da minha casa. A voz que era minha, as músicas que eu gostava. O homem que eu amava na fotografia. Mais ninguém. Ainda não tem nada, mas eu chego lá.
Conversei um pouco hoje, li, dormi e até exercitei-me, vício, e a cada dia que passa eu amo mais. Nas ruas singelas, mesmo sujas, no frio, no mar, na serra. As pessoas falam! Elas precisam falar, deixem-nas. Eu as amo mesmo assim.
quinta-feira, 9 de junho de 2011
terça-feira, 7 de junho de 2011
E se eu te disser que hoje o dia não nasceu
Que sol não quer raiar
Que as ruas estão paradas em meio um transito atordoado
E se eu te disser que os meus olhos não se abriram
Que meu sorriso não quer acordar
E que a preguiça deixa meu cabelo emaranhado
E se eu te disser meu bem, que faltam domingos e flores?
Que sol não quer raiar
Que as ruas estão paradas em meio um transito atordoado
E se eu te disser que os meus olhos não se abriram
Que meu sorriso não quer acordar
E que a preguiça deixa meu cabelo emaranhado
E se eu te disser meu bem, que faltam domingos e flores?
terça-feira, 17 de maio de 2011
Amor e autoajuda, pra variar
Já que é pra falar de amor, me diz você o que que é.Eu sei o que eu sinto, aquelas sensações clichês, a barriga que treme e anseia pela mão quente, no frio. A vontade que dá de abraçar e se perder em braços. O cheiro que fica, o calor que pede. Eu sei dos lábios, das pupilas dilatadas, do olhar que brilha e chama. A admiração. Ou não sei de nada disso.
Talvez um dia você pare, sentada num ônibus lotado, numa ponte engarrafada e entre sua sintonia com seu próprio pensamento e o sono de uma noite mal dormida. Daí descobre o que já não quer mais.Você não quer mais ser perfeita aos olhos de alguém, você não quer mais ser a mulher mais linda, mais cheirosa e menos ainda a mais inteligente do mundo. Você não quer ser o encanto, nem a respiração de ninguém, não quer ser um 'amorzinho'. Você não quer ser um nenem que necessita de zelo, e telefones de emergência. Você não quer ser a causa da vida de ninguém, você não quer ser a causa da loucura de ninguém. Não quer ser perseguida, nem abandonada.
Pode parecer, a princípio, que tudo que você não quer é exatamente o que toda pessoa normal quer, espera e sonha e nunca vai alcançar. Na verdade eu já fui tudo isso, inúmeras vezes. Hoje me parecem vazias. No fundo você só quer ser normal.
Quando se é perfeito, não se falha. Quando se é a mais linda, a mais inteligente, a mais cheirosa, você não tem espaço pra acordar mal, ficar de mal humor, com trapos, maquiagem borrada e o bafo da cachaça barata que você bebeu num buteco na noite anterior. Se for a mais inteligente não pode esquecer de ler o jornal do dia, você tem que ser muito mais, pensar muito mais, saber muito mais.
E quando se é humana? Daquelas que tem crise de histeria as vezes, que se exalta, que chora. Que precisa sair no meio da noite e fugir pra praia. Que as vezes não tem vontade de levantar. Que as vezes mente, que as vezes fala verdades demais. Que tem inseguranças, medos. Que fica flácida quando não vai a academia. Que tem raiva e dor.
Isso não seria o amor? Por que ele tem que ser tão surreal, cheio das imaginações e pés fora do chão? Por que não podemos ser de carne e osso quando amamos? Por que idealizar tanto, sonhar tanto, se vislumbrar?
Eu tenho pena é das pessoas que não sabem amar - digo isso mesmo sabendo que há muitos que dizem que eu não sei amar - que não conseguem simplificar as coisas, serem de verdade.
A cada defeito que descobrimos em nossas descobertas mútuas nos decepcionamos. Nos decepcionamos por não estarmos com a mulher maravilha ou o super homem. Nos decepcionamos por não parecermos aquele casal perfeito de um filme qualquer. Nos decepcionamos por sermos de verdade e daí desistimos. Desistimos por um único motivo, nós mesmo, por não deixarmos as coisas acontecerem ao invés de ficarmos projetando carências, ansiando utopias. Desconstruímos possíveis amores simplesmente por amarmos algo que buscamos e não aquele com quem nos encontramos.
Nunca mais diga a alguém que ele é tudo que você sempre buscou - é um fardo pesado demais - nem busque nada, apenas viva, sinta e deixe acontecer.
Talvez um dia você pare, sentada num ônibus lotado, numa ponte engarrafada e entre sua sintonia com seu próprio pensamento e o sono de uma noite mal dormida. Daí descobre o que já não quer mais.Você não quer mais ser perfeita aos olhos de alguém, você não quer mais ser a mulher mais linda, mais cheirosa e menos ainda a mais inteligente do mundo. Você não quer ser o encanto, nem a respiração de ninguém, não quer ser um 'amorzinho'. Você não quer ser um nenem que necessita de zelo, e telefones de emergência. Você não quer ser a causa da vida de ninguém, você não quer ser a causa da loucura de ninguém. Não quer ser perseguida, nem abandonada.
Pode parecer, a princípio, que tudo que você não quer é exatamente o que toda pessoa normal quer, espera e sonha e nunca vai alcançar. Na verdade eu já fui tudo isso, inúmeras vezes. Hoje me parecem vazias. No fundo você só quer ser normal.
Quando se é perfeito, não se falha. Quando se é a mais linda, a mais inteligente, a mais cheirosa, você não tem espaço pra acordar mal, ficar de mal humor, com trapos, maquiagem borrada e o bafo da cachaça barata que você bebeu num buteco na noite anterior. Se for a mais inteligente não pode esquecer de ler o jornal do dia, você tem que ser muito mais, pensar muito mais, saber muito mais.
E quando se é humana? Daquelas que tem crise de histeria as vezes, que se exalta, que chora. Que precisa sair no meio da noite e fugir pra praia. Que as vezes não tem vontade de levantar. Que as vezes mente, que as vezes fala verdades demais. Que tem inseguranças, medos. Que fica flácida quando não vai a academia. Que tem raiva e dor.
Isso não seria o amor? Por que ele tem que ser tão surreal, cheio das imaginações e pés fora do chão? Por que não podemos ser de carne e osso quando amamos? Por que idealizar tanto, sonhar tanto, se vislumbrar?
Eu tenho pena é das pessoas que não sabem amar - digo isso mesmo sabendo que há muitos que dizem que eu não sei amar - que não conseguem simplificar as coisas, serem de verdade.
A cada defeito que descobrimos em nossas descobertas mútuas nos decepcionamos. Nos decepcionamos por não estarmos com a mulher maravilha ou o super homem. Nos decepcionamos por não parecermos aquele casal perfeito de um filme qualquer. Nos decepcionamos por sermos de verdade e daí desistimos. Desistimos por um único motivo, nós mesmo, por não deixarmos as coisas acontecerem ao invés de ficarmos projetando carências, ansiando utopias. Desconstruímos possíveis amores simplesmente por amarmos algo que buscamos e não aquele com quem nos encontramos.
Nunca mais diga a alguém que ele é tudo que você sempre buscou - é um fardo pesado demais - nem busque nada, apenas viva, sinta e deixe acontecer.
segunda-feira, 16 de maio de 2011
.
Quantas pessoas na vida você ainda vai perder? Quantos mundos ainda cairão, quantas vezes? E quando é que sua voz não assustará mais o mundo e sua mão se manterá em equilíbrio?
Ainda escuto a chuva de forma receosa, sinto frio nos pés e embrulho estômago. Ainda tenho pavor de ambulâncias e nem tenho mais quem toque 'time like this' no telefone pra me acalmar. Eu não levanto e nem ouso pegar um ônibus se as árvores se movimentarem muito rapidamente com o vento. E olha que não fui eu que perdi grandes coisas. Mas é que parece que o rio e a terra levaram grande parte de mim, sem perdas físicas. Levaram um eu que eu não sei mais se volta, isso pode ser bom, era pra ser bom. Metamorfoses! As vezes a chuva lava, leva e torna leve. As vezes a chuva dói, esmaga e deixa-nos sem fio, no frio.
Dentro das minhas cacofonias tento entender os cacos que restaram. Não só dos meses recentes que se passaram na serra. Mas de toda uma vida cíclica de construção e destruição.
Até onde?
Dúvidas, dores, tapas, berros, gritos, fantasmas, ameaças, sensações, possessões, depressões, quedas, quebras, proibições, liberações, impaciência, gênio, futilidade, superficialidade, términos, recomeços, insistência, dor, dor, dor. Uma problemática infinita que não sabe se quer sair pro mundo. Um poço.
Ver um mundo inteiro familiarizado do qual você não faz mais parte, ou nem chegou a fazer.
Ainda escuto a chuva de forma receosa, sinto frio nos pés e embrulho estômago. Ainda tenho pavor de ambulâncias e nem tenho mais quem toque 'time like this' no telefone pra me acalmar. Eu não levanto e nem ouso pegar um ônibus se as árvores se movimentarem muito rapidamente com o vento. E olha que não fui eu que perdi grandes coisas. Mas é que parece que o rio e a terra levaram grande parte de mim, sem perdas físicas. Levaram um eu que eu não sei mais se volta, isso pode ser bom, era pra ser bom. Metamorfoses! As vezes a chuva lava, leva e torna leve. As vezes a chuva dói, esmaga e deixa-nos sem fio, no frio.
Dentro das minhas cacofonias tento entender os cacos que restaram. Não só dos meses recentes que se passaram na serra. Mas de toda uma vida cíclica de construção e destruição.
Até onde?
Dúvidas, dores, tapas, berros, gritos, fantasmas, ameaças, sensações, possessões, depressões, quedas, quebras, proibições, liberações, impaciência, gênio, futilidade, superficialidade, términos, recomeços, insistência, dor, dor, dor. Uma problemática infinita que não sabe se quer sair pro mundo. Um poço.
Ver um mundo inteiro familiarizado do qual você não faz mais parte, ou nem chegou a fazer.
domingo, 1 de maio de 2011
Um ponto
Roupas, pouca roupa. Armários. Gavetas. Copos. Potes. Areia. Poeira. Canga. Chinelo. Livros sem teto. Fichários, dicionários. Relógio atrasado. Ansiedade com frio e medo de correr. Folhas espalhadas, folhas de nada. Cadernos, pratos, garfos, amasso. Adeus e oi. Estômago embrulhado. Algumas músicas que tocam sem parar e trocam você por qualquer lugar. Medo. Bolsas, calçados, calçadas. Macarrão e feijão passado. Araras. Ventiladores, televisores. Chico Buarque, Lenine, friends. Fotografias, cartolina. Agulha, gatos, shoyo. Fim do dia, fim da tarde, fim de um começo assim.
Aquele ponto do desconhecido. Não sei do ontem, nem do amanhã e talvez receie o agora. Um ponto assim.
Aquele ponto do desconhecido. Não sei do ontem, nem do amanhã e talvez receie o agora. Um ponto assim.
domingo, 10 de abril de 2011
Cafeína e rotina
Posto o sol em pensamentos, na serra, no mar, revejo o café e toda minha rotina. A delícia de ser o que se quer, a verdade da luta, do desejo e ainda mais, da conquista, das conquistas. Vejo o sol nascendo e minha preguicinha combinada com a salada de fruta do mate "uerjiano" e um pouco de "muito sono" a um real. As amizades, o colorido e um novo sorriso achado num carnaval. A rotina corre sem pensar no meu sono, vejo o mundo de olhos meio abertos, meio fechados entre uma estação e outra no metro. Alerta na Cidade Nova. Minha nova cidade maravilhosa. Entre nenhuma laranjeira e a bagunça da casa de estranhos chatos, consigo conciliar minha "tpm" com mais um pasalix. Ninguém mais me tira do sério, ninguém mais me tira de mim e desse aconchego que descobri que ser Patrícia pode ser.
Há quem diga que as pessoas são ruins, e eu sei que isso foi pra mim (risos), mas se ser feliz, se ser livre das coisas que não te fazem construir algo melhor, se viver bem, se achar um caminho bom pra chegar no meu café da tarde do meio do nada é ser ruim, então não me importo em ser a pior pessoa do mundo. Jamais passaria por cima, não creio mesmo que "os fins justifiquem os meios", mas não é possível ser passível à subordinações e nem a mal estar. Nem pra mim, nem pra ninguém. Não busco a perfeição, mas sou o que construo e não o que me destrói.
Há quem diga que as pessoas são ruins, e eu sei que isso foi pra mim (risos), mas se ser feliz, se ser livre das coisas que não te fazem construir algo melhor, se viver bem, se achar um caminho bom pra chegar no meu café da tarde do meio do nada é ser ruim, então não me importo em ser a pior pessoa do mundo. Jamais passaria por cima, não creio mesmo que "os fins justifiquem os meios", mas não é possível ser passível à subordinações e nem a mal estar. Nem pra mim, nem pra ninguém. Não busco a perfeição, mas sou o que construo e não o que me destrói.
quarta-feira, 16 de março de 2011
Em meio a tanta tinta, o branco. Papel habitado por um nada borrado, de uma ex tinta que fugiu por mãos estranhas, agora. O conhecido tornou-se sombrio, assustador, como o gosto de uma vingança bem sucedida. Melúria, silencio, fim.
_Senti falta de você a vida toda, e sentirei pelo resto que ainda me cabe,
_Senti falta de você a vida toda, e sentirei pelo resto que ainda me cabe,
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