mãos e pés
cabeças ao vento
ondas que vem e vão
turbilhão de pensamentos
crescendo, crescento, chegando ao alto
as palavras ficam ainda maiores, pintadas de anil
as frases se espalham sem medo de dor
e se recolhem novamente
elas dormem mais um dia
acordam pra quem lia
cabeças ao vento
mãos e pés
quinta-feira, 5 de novembro de 2009
segunda-feira, 19 de outubro de 2009
...
Falta ar, assim como falta quem lhe confie uma palavra só. A verdade. Como lhe falta um sopro de vida de quem cabe, olhar afugentado de quem vale.
Falta ar como escolas que ensinem a voar, não sei voar.
Falta lugar plano pra pousar. Falta confiança pra se lançar. Falta um mundo e tudo.
Faltam mãos que te peguem no escuro sem exitar, falta respiração que não pode parar, falta vida, falta morte, ainda falta tanto.
e mesmo em tanta falta d'água, cor, coragem, um fio ínfimo tenta dar conta d'alma. Mas onde uma só alma não pode fazer serviços, não pode erguer o mundo, respira meia dela. Que ainda sobrevive, brava, valente e acreditada numa meia verdade vã.
Mesmo que o começo de um desengano, mesmo que em véus a desfalecer, garras e entranhas vão aparecendo, segurando uma verdade que não quer vencer.
Falta ar como escolas que ensinem a voar, não sei voar.
Falta lugar plano pra pousar. Falta confiança pra se lançar. Falta um mundo e tudo.
Faltam mãos que te peguem no escuro sem exitar, falta respiração que não pode parar, falta vida, falta morte, ainda falta tanto.
e mesmo em tanta falta d'água, cor, coragem, um fio ínfimo tenta dar conta d'alma. Mas onde uma só alma não pode fazer serviços, não pode erguer o mundo, respira meia dela. Que ainda sobrevive, brava, valente e acreditada numa meia verdade vã.
Mesmo que o começo de um desengano, mesmo que em véus a desfalecer, garras e entranhas vão aparecendo, segurando uma verdade que não quer vencer.
Coração
Bate quieto e até então sereno
mais eis que outra vez se desfez
cansado, calado, engolido
sorte, sorte se fez
pois diria que infeliz sorte
amor desprovido de veracidade
até que seja verdade
ainda bate feito a morte
outra vez, outra vez
sei que de mim mais sincero
e já desfiz da privacidade
dôo calada e não altero
silêncio além da realidade
prosa, teatro, poesia
que nada retratam
minha sinceridade desvia, esguia e vazia
medo da verdade relatam
mais eis que outra vez se desfez
cansado, calado, engolido
sorte, sorte se fez
pois diria que infeliz sorte
amor desprovido de veracidade
até que seja verdade
ainda bate feito a morte
outra vez, outra vez
sei que de mim mais sincero
e já desfiz da privacidade
dôo calada e não altero
silêncio além da realidade
prosa, teatro, poesia
que nada retratam
minha sinceridade desvia, esguia e vazia
medo da verdade relatam
sábado, 17 de outubro de 2009
.
Noites que vem e vão e o tempo não para de correr, são noites desprendidas de memórias que se possam viver. Disseram que é preciso esquecer pra lembrar, mas e se o silencio fizer apenas com que não se recorde? Uma paz de não pensamentos que te levam a desejos e consequentemente te elevam a uma possível nostalgia irritantemente inconveniente? Creio eu que não. Acredito fielmente que as memórias nos fazem ver e crer o que já não se pode viver, mas é bem dito também que às vezes elas irriquietam.
Quem sabe o impossível não se faz concreto, em meio às madrugadas mal dormidas e ansiosas, que anseiam mais que nada uma liberdade talvez vã. Essa falta de saber o que é e o que não é vão, essas batidas na porta da frente, a campainha interna, alerta. Se faltas membro, se faltas ar, liberdade é pouco ao que se quer falar, desconhece-se tudo então. Incógnitas voando por todos os lados gritam repetidas vezes as suas próprias respostas. Mas o olho nu não vê e não há lentes no quarto.
A televisão queimada, o livro rasgado, o chão inundado e o teto caindo. Começo, meio e fim da história sem limites.
Quem sabe o impossível não se faz concreto, em meio às madrugadas mal dormidas e ansiosas, que anseiam mais que nada uma liberdade talvez vã. Essa falta de saber o que é e o que não é vão, essas batidas na porta da frente, a campainha interna, alerta. Se faltas membro, se faltas ar, liberdade é pouco ao que se quer falar, desconhece-se tudo então. Incógnitas voando por todos os lados gritam repetidas vezes as suas próprias respostas. Mas o olho nu não vê e não há lentes no quarto.
A televisão queimada, o livro rasgado, o chão inundado e o teto caindo. Começo, meio e fim da história sem limites.
quinta-feira, 15 de outubro de 2009
Mentira
Dê uma passada geral do que é de bom gosto, um chá verde com biscoito e canela estão na mesa de cabeceira combinadas com uma nova luminária um tanto quanto esquisita e livros a espera de serem lidos. Pare de fingir que não há tempo, há tempos nada se move aqui e agora num instante de quebra de inércia os papeis velhos que foram guardados estão sendo deportados, transformados.
Alguém fingiu ser útil por tanto tempo e o tempo escorreu e a verdade esvaiu-se num ralo raro. Porém, mesmo que este alguém pareça perdido pode ser que tenha se encontrado. Um dia todos nós vamos ter que achar algo em algum lugar que nos faça encontrarmo-nos... Seja num parque, num hospital, num livro... Ou até mesmo em um asilo depois de tanto tempo de vida, aparentemente.
A busca é constante, os sentidos nos pedem sentido, e o chá com biscoitos de canela podem não ser mais verdade alguma quando anoitecer e então o ralo se abre, a cabeça sana vai junto.
Quem se importa?
Talvez eu, talvez você, no final das contas todo mundo aponta certa preocupação com os "esvair-ses" da vida, mesmo que, corriqueiramente, seja consciente o ser tão passageiro de tudo nessa estrada.
Esse vai e vem mais frequente que as ondas do mar, acabam por se confundirem com loucuras, dessas que todo mundo agradece por ter, mas quer se livrar. Das perguntas sem respostas, das escolhas sem apoio, o pensamento humano mais chavão, as clichês dúvidas guardadas e o medo cretino de ser anormal.
Ignore tudo dito então, seus pensamentos te confundirão aos dez, aos dezoito, aos trinta, aos sessenta e cinco e pedras a frente...
Uma conta de luz não paga, um telefone mudo e o silêncio nada musical podem se tornar uma sinfonia.
Alguém fingiu ser útil por tanto tempo e o tempo escorreu e a verdade esvaiu-se num ralo raro. Porém, mesmo que este alguém pareça perdido pode ser que tenha se encontrado. Um dia todos nós vamos ter que achar algo em algum lugar que nos faça encontrarmo-nos... Seja num parque, num hospital, num livro... Ou até mesmo em um asilo depois de tanto tempo de vida, aparentemente.
A busca é constante, os sentidos nos pedem sentido, e o chá com biscoitos de canela podem não ser mais verdade alguma quando anoitecer e então o ralo se abre, a cabeça sana vai junto.
Quem se importa?
Talvez eu, talvez você, no final das contas todo mundo aponta certa preocupação com os "esvair-ses" da vida, mesmo que, corriqueiramente, seja consciente o ser tão passageiro de tudo nessa estrada.
Esse vai e vem mais frequente que as ondas do mar, acabam por se confundirem com loucuras, dessas que todo mundo agradece por ter, mas quer se livrar. Das perguntas sem respostas, das escolhas sem apoio, o pensamento humano mais chavão, as clichês dúvidas guardadas e o medo cretino de ser anormal.
Ignore tudo dito então, seus pensamentos te confundirão aos dez, aos dezoito, aos trinta, aos sessenta e cinco e pedras a frente...
Uma conta de luz não paga, um telefone mudo e o silêncio nada musical podem se tornar uma sinfonia.
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e é de bom goto
segunda-feira, 28 de setembro de 2009
Fico
Ah! Quero sentir teu cheiro!
Mas um cheiro livre
Que não me estagne e não me deixe inquieto com tua busca,
Buscar-te me preocupa
Não te quero no armário num quartinho de filó
Muito menos perder-te no mundo, isso dói
Quero-te por perto, com o peito aberto pra me querer.
Sabe que o melhor sentimento é o que se sente sem precisar ter
Boa moça, pele branca, alma e tudo.
Fica!
Vai, mas...
Fica!
Que ficar me faz bem
Fica!
Coragem!
Gabriel Ide
Em resposta
Pois eu fico sem temer;
Meu sentir não precisa ser;
Fico, pois desejo-te com cada célula que me cabe;
Fico, pois não a cheiro que me acabe;
Assim;
Dourado, rosa e anil;
Amor esse que ninguém nunca viu, sentiu;
Fico por querer-te assim tão intensamente;
Busca minha incessante;
Inquieta é, não dá para fugir;
Uma inquietação de silencio;
Pausa;
Fim;
Não posso parar de te amar assim,
Mesmo se quisesse seria por demais tarde;
Chico cantou pra mim, pra que eu te encontrasse...
'te dei meus olhos pra tomares conta'
Patrícia Canella
Mas um cheiro livre
Que não me estagne e não me deixe inquieto com tua busca,
Buscar-te me preocupa
Não te quero no armário num quartinho de filó
Muito menos perder-te no mundo, isso dói
Quero-te por perto, com o peito aberto pra me querer.
Sabe que o melhor sentimento é o que se sente sem precisar ter
Boa moça, pele branca, alma e tudo.
Fica!
Vai, mas...
Fica!
Que ficar me faz bem
Fica!
Coragem!
Gabriel Ide
Em resposta
Pois eu fico sem temer;
Meu sentir não precisa ser;
Fico, pois desejo-te com cada célula que me cabe;
Fico, pois não a cheiro que me acabe;
Assim;
Dourado, rosa e anil;
Amor esse que ninguém nunca viu, sentiu;
Fico por querer-te assim tão intensamente;
Busca minha incessante;
Inquieta é, não dá para fugir;
Uma inquietação de silencio;
Pausa;
Fim;
Não posso parar de te amar assim,
Mesmo se quisesse seria por demais tarde;
Chico cantou pra mim, pra que eu te encontrasse...
'te dei meus olhos pra tomares conta'
Patrícia Canella
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