quinta-feira, 17 de novembro de 2011

Atrasada

Dei-me a liberdade de rir, estou atrasada, logo não vou me demorar.
Diria eu, se pudesse, das pessoas que me veem perdida. Deixe-a perdida. Correndo, meio descompromissada e com todos compromissos que me quero assegurar, estarão logo redigidos.
Onde quero chegar - Senhor, por que enrolar tantos pensamentos numa página que ninguém sequer lerá? Bom, é que nos caminhos que me julgam - e como julgam, eu também julgo por aí - não ando só, nem perdida. Estou achada, honrada. É só que resolvi não ter pressa. Fui apressada, cheguei aqui e até então eu não havia visto nada. Parei pra respirar.
Mas como disse, não vou me demorar, ando atrasada. Continuarei a rir no caminho, sem poder palavras escrever. É que nem tudo tem de ser salvo em um rascunho.

quarta-feira, 26 de outubro de 2011

De faltas e desejos

Na falta de ar que me causas sobram-me sorrisos. Apertos, frios aquecidos. Pedaços compartidos entre você e eu no final do mundo. Pra mim isso tudo é só o começo. Já nem ligo se me faltam palavras, se me faltam imagens, se me falta a santa sanidade. Porque na verdade o que me inporta é que não falta nada. O que faltava até então era desejo, desejo forte.

segunda-feira, 17 de outubro de 2011

Tempestade

Cheiro e gosto de chuva. Silêncio, o gostoso do silêncio. Nenhum pensamento. Sem saber como que uma mente tão cheia possa ter ficado vazia. Não chega a ser serenidade, pois desespera fácil. Mas é uma calma, um frio, um nada.
Buracos que foram cavados em minha alma. Pedaços destroçados que nenhuma tentativa minha de costurar novamente, em seus devidos lugares, valerá. Eu vejo um poço de mágoas. Um céu preto que de vez enquando leva à chuva, e daí a consequente piora. As minhas ruas ficam cheias, inundadas. Minhas memórias transitam quase parando, a causar pane. E eu paro ao ver as gotas que caem incessantemente, a lavar-me a face. A chuva passa e o sol pode sorrir um pouco, não por muito.
E novamente a mente volta pro seu frio, pro seu nada.

segunda-feira, 26 de setembro de 2011

Velha coreografia

Meus passos no escuro, você vai ficar bem. Siga o som que faço ao dançar pela sala e não acenda as luzes, elas mancham minha visão - ou me fazem enxergar mais do que eu gostaria. Está aí um assunto que não devemos tocar esta noite. Apenas me dê suas mãos e deixe que eu te guie a um lugar seguro e não ache que estar em casa é seguro. Quero te proteger de pensamentos turvos, no escuro. Entenda, tem que ser escuro.
A rua lá fora nos diz tantas coisas, coisas demais. Precisamos do silêncio dos sorrisos que guardamos um tempo atrás dentro do seu quarto, do outro lado da cidade. Precisamos reviver. Eu parei de afogar as coisas, parei de me afogar, vou te ensinar.
Quando o sol nascer não teremos mais tempo, eu te disse. Só deixe que nossas mãos se atem, que nossos olhos se lacem, que nossos corpos se encontrem naquela velha coreografia. Límpida, singela, tranquila e verdadeira. O que faltou no silêncio foi veracidade e por isso faremos barulho. Me abrace, me aperte, mas não diga nada. Eu estou te levando a um lugar seguro, já te disse. E a gente pode ficar lá o quanto quisermos.

Dias

O que eu tenho feito da vida?

- Mãe, as vezes eu apareço na faculdade, faço uma figuração e volto pra casa. A academia eu quase não falto. Os cursos eu me arrasto e os livros eu parei de ler um pouco - sempre tem uma história muito boa que te faz ficar deprimida por você não ser a protagonista. Meus sorrisos eu entreguei pra meia dúzia de amigos - diga-se de passagem, os melhores em todos momentos, porque um cara tem que ser muito bom pra aguentar as famosas patricices e cia. - e prum menino especial que eu resolvi querer deixar morar no meu peito eternamente. Não estou infeliz, só ando meio distraída, ou desestimulada. Creio ser uma crise pós moderna dos meus 20 anos. Ou um efeito daquela bipolaridade que eu herdei da nossa genética. Não sei. Uma coisa ou outra, ou as duas, talvez.
No meio disso tudo eu ainda tenho vivido momentos que me proporcionam sentimentos que até então eu não poderia sonhar em conhecer. E nessas horas eu me lembro nitidamente de o porque deu ainda estar viva e das razões deu me forçar sair da cama em algumas manhãs. Minha vida é boa e eu ainda não perdi o jeito de arrumar as coisas, de me arrumar e de conseguir encantar algumas pessoas.
Não tenho medo da inveja, da falsidade, da infelicidade. Eu descobri que também carrego isso em mim. Tenho medo da maldade que as pessoas podem carregar em seus corações - e nessas horas eu finjo ser uma fortaleza que não sou, ou finjo poder ser mal, também. Mas eu tenho tanta certeza que as pessoas que me conhecem mesmo sabem que eu sou o tipo de pessoa que pega um ônibus de madrugada só pra oferecer um abraço e ajudar no florescer de um sorriso. Então, mãe, parabéns pelo seu trabalho aqui.
Eu tenho tido mais preguiça do que o normal e minha fome tem sido tão oscilante quanto meu humor. Mas tem uma calma escondida em meus braços e ela só precisa esperar um pouco. Deitada, dormindo, fugindo um pouco dessas imposições todas que o mundo nos faz, tomando um chá e dando umas risadas de uma comédia qualquer.

quinta-feira, 4 de agosto de 2011

Meu peito acordou incomodado, hoje

E se eu te disser que você tinha razão? Das inconstâncias, loucuras e desequilíbrios. Eu posso te dizer que agora estou bem, que aprendi o que você dizia todos os dias de auto controle, de pensar, da volta. Eu errei algumas vezes mais e a vida me obrigou a crescer, a entender que não vou ter meus pais pra sempre me acalmando e me fazendo respirar quando o nervoso, a asma e tudo o mais tomarem conta de mim. As vezes eu penso em tanta raiva que você foi capaz de invocar em mim, ninguém mais. De tantas vezes que eu quis gritar e das mágoas que sei bem, levarei eternamente comigo. Isso me destroi em alguns dias, entender como as pessoas podem se magoar, se atingirem de algumas formas. Eu nunca mais vou deixar ninguém plantar odio em mim. Essa história de fomentar coisas ruins, pra mim não dá.
Eu fiquei muito tempo dizendo que o mundo é bonito demais, e você só queria ver maldade. As pessoas precisam parar. O mundo já me fez coisas ruins antes, mas eu nunca deixei de acreditar nas flores que ainda viriam. E quando penso em você, imagino uma fortaleza de falsos sorrisos, de mágoas entranhadas em um lugar que nem você sabe mais. Você cavou você mesmo, ver tudo sem cor. Não faz sentido em mim.
Desculpe-me, ainda me culpo por todas as coisas ruins que fui capaz de fazer. Coisas nas quais não me reconheço e sei que nem você. Ainda me envergonho, me castigo. Mas meus olhos estavam cerrados e minhas mão encandecidas por um sentimento que eu jamais pretendo sentir. Não posso não culpar alguém, é impossível. E mesmo que eu saiba que tudo só se concretiza quando queremos, seja bom, seja ruim.
Não sei o porque de jogar estas palavras agora, mas meu peito acordou incomodado hoje e eu não confio em ninguém pra falar disso. Sei que de algum lugar, seja onde estiver, seja quanto tempo tenha se passado, você vai ler e entender.
Você vai saber que tudo mudou, que eu mudei, que quero outros caminhos e quem sabe, se não for utopia demais de minha parte, pare por uns segundos de me culpar por tudo. Eu ainda sinto, eu ainda penso e eu tenho um coração.

quinta-feira, 9 de junho de 2011

E o vento até me lembrava o mar, que por mais perto me deixava longe. Eu caminhava numa solidão acompanhada de pensamentos que eu não podia organizar. Era frio o vento, e o mar devia ser quente. E eu precisava organizar. Não sabia ainda o porque daquela caminhada noturna, ainda mais em ambientes indevidos - deixe-me pra lá - eu precisava pensar, viver minha mente ávida. Ou apenas hiperatividade. O fato é que os pensamentos se perdiam, corriam como se estivessem em meio a uma maratona e eu as vezes parava, cambaleava tonta de mim mesma.
Eu ainda podia jurar que caminhava a beirar o mar e via as ondas lamberem-me, mas que nada. Havia ali fumaça, chuva e vento - além de pequenos tumultos, talvez, amedrontadores.
E a dança de meus pensamentos prosseguia, com seu ar de contemporaneidade, e projetos cinematográficos no meio do nada, no nada. Nada me diziam e eu nada dizia a eles, como se não pertencessem a mim. Um absurdo.


- Manequins, afins. Agulhas e rolos de lã cantavam. Eu dançava e prendada que era deixava nascer. Moldes, cortes e letras. Letras? Agora música de meus dedos, a voz saia brincando.Depois os videos, a cena, o embarque. Um palco desconexo e a festa. Muitas festas, todas festas.
O alcool, o frio, o café. O Neruda, Bandeira - Ahh Bandeira -, Allende . Uma vida inteira.Tosses, sushis, esteiras.
No fim um ponto, um turbilhão.
Ventania! -

Com um pouco mais de frio estava eu de volta, alucinada com aquele todo. Perdida e encontrada. Um nebulizador me esperava a espreita e logo a tremedeira do berotec. O silêncio da casa, da minha casa. A voz que era minha, as músicas que eu gostava. O homem que eu amava na fotografia. Mais ninguém. Ainda não tem nada, mas eu chego lá.
Conversei um pouco hoje, li, dormi e até exercitei-me, vício, e a cada dia que passa eu amo mais. Nas ruas singelas, mesmo sujas, no frio, no mar, na serra. As pessoas falam! Elas precisam falar, deixem-nas. Eu as amo mesmo assim.