quarta-feira, 29 de abril de 2009

Bambo

deixa eu me despir
te contagiar
quero te falar tudo que eu vi

era um suspiro breve
um argumento nulo
era você, eu, ali

frio escaldante
deserto de emoção
mas no fim menti

não é bem assim
o samba nem tocou
e eu nem vivi.

terça-feira, 28 de abril de 2009

Saudade

Entre o suco de limão
e o chá de camomila
de ansiedade aflorada
chego perto da ida

Sonhos, sonhos e pensamentos
fico longe, tão distante!
deixando esse momento
por mais de um instante.

Entre músculos cardíacos
e sistemas excretores
não entendo a biologia
só esses fatores

quero estar onde não estou
pensar que não sou
e não ser

quero uma palavra tua
tua saudade...
você!

segunda-feira, 27 de abril de 2009

Qualquer coisa

Não sei mais fingir, fingir pra que? Que se dane essa falta do que fazer, quero mesmo um livro que toque beatles, uma folha que cante Bob, uma impressora que imprima Lenine, uma parede que fale Cazuza e um relógio que não me informe a hora. Não tenho mais hora marcada. Meu bar caiu, a escada desceu e estou assistindo a cozinha me pedir um ovo. Quero mesmo sentar e ver, que se vire você! Jorge Amado me falou da Bahia e a Marian Keyes de uma solidão grávida. Que guia prático é o caralho, quero é ‘meu pai secreto’ com um poco de ‘1808’. Estou pensando em um menino de pijama listrado e em um cara que disse vender sonhos. ‘A mãe’ disse que ‘a cabana’ é boa e ‘o sobrevivente’ que quer ir pra ‘cidade do sol’. Pensei em me derreter com as ‘férias’ e comer um ‘sushi’. Mas quem sabe um caçador de pipas não me leve pra um cortiço e me apresente uma moreninha. Só que eu tenho que pensar em química e física. Acertei 38 de 80 questões, mas li mil coisas.
Ontem eu sentei pra ver Friends e acabei assistindo private practice. Mas quem disse que fringe é ruim? Pensei que meu nome não é Johnny, mas sim Amelie Poulain. Nunca tive orgasmos múltiplos, mas gozo de vida.
To sorrindo a toa e falando nada com nada. Não sei qual o motivo, mas dizem que é sintoma de paixão. Apaixonei-me por mim mesma.
Sexo é bom, dormir também. Quero um filme e muito brigadeiro com maça. Meu quarto se arrumou sozinho, mas a bagunça da minha cabeça se recusou a fazer o mesmo.
Vou tomar um sorvete e que se danem meus medos!

quinta-feira, 12 de março de 2009

O sangue ferve, queima nas veias
Mãos tremulas
Olhos marejados
Vidas, pedidos e esperanças

Amanhã talvez
Hoje não
Hoje nunca
Hoje só gargantas apertadas

Silencio e nenhuma dor
Vazio que dói
Mas nenhuma dor
Cala-se

Transparece em transparência
Esclarece em permanecia
Vibra nada
Nada vibra aqui, e nem lá
Será que brotarás num vale onde a arte não parece ter vez?
Pra que tanta perspectiva?

segunda-feira, 16 de fevereiro de 2009

Cause pane

A roupa que você veste não me faz ver sua essência, não transparece seus princípios e nem abre janelas da minha imaginação. Não me interessa suas fotos postadas em uma página da internet, porque a minha vida não se baseia em uma, então eu quero mais de você. Me dê só suas palavras. A cor do seu vestido preto e branco listrado não te faz melhor que da menina de botas e short curto, só suas palavras. A quantia que gastou em um livro não te torna mais inteligente a quem o pegou emprestado, nem mesmo mais inteligente que aquele que não o leu.
Eu não me importo com roupas usadas, desdobradas e amassadas, o que me importa é que sua alma esteja limpa de toxinas sistemáticas. Não gostaria que você fosse formulado, processado, enquadrado por tudo aquilo que na verdade não sabe se quer; se não quer... já que talvez, na realidade nem pode saber, foi simplismente programado.
Quero que cause um pane no sistema, e consiga por si só, pensar.
Na verdade nem só por palavras me interesso, eu já ficaria intrigada ao ter ver pensar.
Saber que o ser humano não é só capaz de ser manipulado, mas também, capaz de desmanipular, de pular muros, de enfrentar imposições e de explorar uma mente tão estudada. Uma mente que engenheiros, cientistas e muitos, muitos outros tentam apenas chegar perto já faz de mim uma pessoa mais esperançosa. Somos todos capazes de fazer próprias escolhas, e não me importa se talvez as suas escolhas possam vir a parecer mesquinhas diante de outros olhos, contando que as tenhas feito. Mas também não se deixe fechar seus próprios olhos, não se deixe esquecer que apesar de sermos frágeis, também somos fortes o suficientes para achar coisas anteriormente essenciais para trás. Para não nos submetermos a atos extremamente burgueses, lembrando que para toda riqueza há um preço, e pode não ser você que venha ter que o pagar.

quarta-feira, 4 de fevereiro de 2009

Novo parágrafo

Todo mundo quer começar o ano sem receios, livre de todo o mal que lhe pesa, virar páginas, por pontos nos ‘is’ e pontos finais. Eu, na verdade, queria é começar um novo parágrafo. Composto por mil e uma vírgulas e cheio de novas histórias. Onde eu deixaria meus medos e receios da vida para trás, conseguiria viver sem ser em um casulo onde sempre me protegi das mágoas, das grosserias, onde sempre mantive distancia de tudo que pudesse me ferir. Já que hoje, eu percebi que foi sendo assim que mais me magoei, me privando dos perigos, das amizades e de mim mesma.
Descobri que tenho medo de fazer novas amizades, devido a decepções anteriores, não adquiri superação nos meus erros e gerei uma enorme síndrome da perseguição. Parece que as vezes eu acho que tudo está contra mim, que ninguém se importa e eu mesma acabo não me importando tanto, torno-me compulsiva por besteiras como escovar os dentes, comer, roer unhas, dormir, limpeza ou bagunça. E eu sei muito bem que fugir das coisas não é o caminho de resolve-las, não que eu saiba realmente como resolve-las, mas dizem que é errando que se aprende e assim se encontra soluções.
Na verdade eu não sei bem onde começar, talvez um processo de desintoxicação de mim mesma. Quem sabe assim eu pare de me perseguir, de me cobrar e de ser tão minuciosa à coisas desnecessárias. A organização exterior afeta a interior, mas se não houver uma interiorização não haverá nada. Sem conseguir me perdoar pelas minhas próprias falhas, tanto as cometidas à outro alguém tanto à mim, não conseguirei perdoar ninguém. Não saberei virar páginas, nem por pontos nos ‘is’ e muito menos começar novos parágrafos.


'O perdão é um catalisador que cria a ambiência necessária para uma nova partida, para um reinício.'