segunda-feira, 26 de setembro de 2011

Velha coreografia

Meus passos no escuro, você vai ficar bem. Siga o som que faço ao dançar pela sala e não acenda as luzes, elas mancham minha visão - ou me fazem enxergar mais do que eu gostaria. Está aí um assunto que não devemos tocar esta noite. Apenas me dê suas mãos e deixe que eu te guie a um lugar seguro e não ache que estar em casa é seguro. Quero te proteger de pensamentos turvos, no escuro. Entenda, tem que ser escuro.
A rua lá fora nos diz tantas coisas, coisas demais. Precisamos do silêncio dos sorrisos que guardamos um tempo atrás dentro do seu quarto, do outro lado da cidade. Precisamos reviver. Eu parei de afogar as coisas, parei de me afogar, vou te ensinar.
Quando o sol nascer não teremos mais tempo, eu te disse. Só deixe que nossas mãos se atem, que nossos olhos se lacem, que nossos corpos se encontrem naquela velha coreografia. Límpida, singela, tranquila e verdadeira. O que faltou no silêncio foi veracidade e por isso faremos barulho. Me abrace, me aperte, mas não diga nada. Eu estou te levando a um lugar seguro, já te disse. E a gente pode ficar lá o quanto quisermos.

Um comentário:

Adriana Borghi disse...

Sempre mandando ver na escrita, né Pattyzinha!
Adoro.

Beijos. Miss u...