Noites que vem e vão e o tempo não para de correr, são noites desprendidas de memórias que se possam viver. Disseram que é preciso esquecer pra lembrar, mas e se o silencio fizer apenas com que não se recorde? Uma paz de não pensamentos que te levam a desejos e consequentemente te elevam a uma possível nostalgia irritantemente inconveniente? Creio eu que não. Acredito fielmente que as memórias nos fazem ver e crer o que já não se pode viver, mas é bem dito também que às vezes elas irriquietam.
Quem sabe o impossível não se faz concreto, em meio às madrugadas mal dormidas e ansiosas, que anseiam mais que nada uma liberdade talvez vã. Essa falta de saber o que é e o que não é vão, essas batidas na porta da frente, a campainha interna, alerta. Se faltas membro, se faltas ar, liberdade é pouco ao que se quer falar, desconhece-se tudo então. Incógnitas voando por todos os lados gritam repetidas vezes as suas próprias respostas. Mas o olho nu não vê e não há lentes no quarto.
A televisão queimada, o livro rasgado, o chão inundado e o teto caindo. Começo, meio e fim da história sem limites.
sábado, 17 de outubro de 2009
quinta-feira, 15 de outubro de 2009
Mentira
Dê uma passada geral do que é de bom gosto, um chá verde com biscoito e canela estão na mesa de cabeceira combinadas com uma nova luminária um tanto quanto esquisita e livros a espera de serem lidos. Pare de fingir que não há tempo, há tempos nada se move aqui e agora num instante de quebra de inércia os papeis velhos que foram guardados estão sendo deportados, transformados.
Alguém fingiu ser útil por tanto tempo e o tempo escorreu e a verdade esvaiu-se num ralo raro. Porém, mesmo que este alguém pareça perdido pode ser que tenha se encontrado. Um dia todos nós vamos ter que achar algo em algum lugar que nos faça encontrarmo-nos... Seja num parque, num hospital, num livro... Ou até mesmo em um asilo depois de tanto tempo de vida, aparentemente.
A busca é constante, os sentidos nos pedem sentido, e o chá com biscoitos de canela podem não ser mais verdade alguma quando anoitecer e então o ralo se abre, a cabeça sana vai junto.
Quem se importa?
Talvez eu, talvez você, no final das contas todo mundo aponta certa preocupação com os "esvair-ses" da vida, mesmo que, corriqueiramente, seja consciente o ser tão passageiro de tudo nessa estrada.
Esse vai e vem mais frequente que as ondas do mar, acabam por se confundirem com loucuras, dessas que todo mundo agradece por ter, mas quer se livrar. Das perguntas sem respostas, das escolhas sem apoio, o pensamento humano mais chavão, as clichês dúvidas guardadas e o medo cretino de ser anormal.
Ignore tudo dito então, seus pensamentos te confundirão aos dez, aos dezoito, aos trinta, aos sessenta e cinco e pedras a frente...
Uma conta de luz não paga, um telefone mudo e o silêncio nada musical podem se tornar uma sinfonia.
Alguém fingiu ser útil por tanto tempo e o tempo escorreu e a verdade esvaiu-se num ralo raro. Porém, mesmo que este alguém pareça perdido pode ser que tenha se encontrado. Um dia todos nós vamos ter que achar algo em algum lugar que nos faça encontrarmo-nos... Seja num parque, num hospital, num livro... Ou até mesmo em um asilo depois de tanto tempo de vida, aparentemente.
A busca é constante, os sentidos nos pedem sentido, e o chá com biscoitos de canela podem não ser mais verdade alguma quando anoitecer e então o ralo se abre, a cabeça sana vai junto.
Quem se importa?
Talvez eu, talvez você, no final das contas todo mundo aponta certa preocupação com os "esvair-ses" da vida, mesmo que, corriqueiramente, seja consciente o ser tão passageiro de tudo nessa estrada.
Esse vai e vem mais frequente que as ondas do mar, acabam por se confundirem com loucuras, dessas que todo mundo agradece por ter, mas quer se livrar. Das perguntas sem respostas, das escolhas sem apoio, o pensamento humano mais chavão, as clichês dúvidas guardadas e o medo cretino de ser anormal.
Ignore tudo dito então, seus pensamentos te confundirão aos dez, aos dezoito, aos trinta, aos sessenta e cinco e pedras a frente...
Uma conta de luz não paga, um telefone mudo e o silêncio nada musical podem se tornar uma sinfonia.
segunda-feira, 28 de setembro de 2009
Fico
Ah! Quero sentir teu cheiro!
Mas um cheiro livre
Que não me estagne e não me deixe inquieto com tua busca,
Buscar-te me preocupa
Não te quero no armário num quartinho de filó
Muito menos perder-te no mundo, isso dói
Quero-te por perto, com o peito aberto pra me querer.
Sabe que o melhor sentimento é o que se sente sem precisar ter
Boa moça, pele branca, alma e tudo.
Fica!
Vai, mas...
Fica!
Que ficar me faz bem
Fica!
Coragem!
Gabriel Ide
Em resposta
Pois eu fico sem temer;
Meu sentir não precisa ser;
Fico, pois desejo-te com cada célula que me cabe;
Fico, pois não a cheiro que me acabe;
Assim;
Dourado, rosa e anil;
Amor esse que ninguém nunca viu, sentiu;
Fico por querer-te assim tão intensamente;
Busca minha incessante;
Inquieta é, não dá para fugir;
Uma inquietação de silencio;
Pausa;
Fim;
Não posso parar de te amar assim,
Mesmo se quisesse seria por demais tarde;
Chico cantou pra mim, pra que eu te encontrasse...
'te dei meus olhos pra tomares conta'
Patrícia Canella
Mas um cheiro livre
Que não me estagne e não me deixe inquieto com tua busca,
Buscar-te me preocupa
Não te quero no armário num quartinho de filó
Muito menos perder-te no mundo, isso dói
Quero-te por perto, com o peito aberto pra me querer.
Sabe que o melhor sentimento é o que se sente sem precisar ter
Boa moça, pele branca, alma e tudo.
Fica!
Vai, mas...
Fica!
Que ficar me faz bem
Fica!
Coragem!
Gabriel Ide
Em resposta
Pois eu fico sem temer;
Meu sentir não precisa ser;
Fico, pois desejo-te com cada célula que me cabe;
Fico, pois não a cheiro que me acabe;
Assim;
Dourado, rosa e anil;
Amor esse que ninguém nunca viu, sentiu;
Fico por querer-te assim tão intensamente;
Busca minha incessante;
Inquieta é, não dá para fugir;
Uma inquietação de silencio;
Pausa;
Fim;
Não posso parar de te amar assim,
Mesmo se quisesse seria por demais tarde;
Chico cantou pra mim, pra que eu te encontrasse...
'te dei meus olhos pra tomares conta'
Patrícia Canella
Pro meu Luar
Vem me esquentar neguinha,
hoje tá calor mais ainda dá pra melhorar
Dá pra sambar, cantar e sorrir
dá pra pular, requebrar e fluir
Sei que além não há nada que não seja nós
pra isso basta ouvir tua voz
vejo seus olhos e me derreto
sinto teu cheiro e estremeço
quanta paixão, quanto amor
vem me dê a mão, a vida mal começou.
O teu sorriso ainda há de iluminar mil vidas
e meu ciúme consumir-me toda
tua poesia não me pertence
mas teu abraço sim
as tuas lágrimas eu seco
ressuscito teu brilho
sou teu ombro, teu amigo
vem me esquentar neguinha
fundir teu bloco ao meu, desfilar.
hoje tá calor mais ainda dá pra melhorar
Dá pra sambar, cantar e sorrir
dá pra pular, requebrar e fluir
Sei que além não há nada que não seja nós
pra isso basta ouvir tua voz
vejo seus olhos e me derreto
sinto teu cheiro e estremeço
quanta paixão, quanto amor
vem me dê a mão, a vida mal começou.
O teu sorriso ainda há de iluminar mil vidas
e meu ciúme consumir-me toda
tua poesia não me pertence
mas teu abraço sim
as tuas lágrimas eu seco
ressuscito teu brilho
sou teu ombro, teu amigo
vem me esquentar neguinha
fundir teu bloco ao meu, desfilar.
quinta-feira, 10 de setembro de 2009
Muito mais ou menos
Até que se parece com ânimo, mesmo tendo tons de arrastar. O mau humor e falta de vontade, a irritação com qualquer palavra oriunda de ti. Fico eu aqui, lendo, lendo, me deleito com outros mundos, pra ser sincera meu bem, não estou tendo paciência pro meu, nem pro seu, nem pro de ninguém.
Estou bem, bem sarcástica, com um ar de superioridade que eu não tolero nem em mim e nem em ninguém . Deixa estar, não é assim que dizem?
Pra você não dou mais nada, nem pra mim estou podendo dar. É verdade mesmo que ninguém me pediu nada.
Vou levando na vidinha mais ou menos que não pedi, escola, casa, livros didáticos, livros fantásticos e a academia. Nem mais e nem menos. Eu sei que é entediante, mas diante dos fatos eu estou fazendo até demais.
Um sorriso de quem gosto, e um meu pra quem bem quero.
Estou bem, bem sarcástica, com um ar de superioridade que eu não tolero nem em mim e nem em ninguém . Deixa estar, não é assim que dizem?
Pra você não dou mais nada, nem pra mim estou podendo dar. É verdade mesmo que ninguém me pediu nada.
Vou levando na vidinha mais ou menos que não pedi, escola, casa, livros didáticos, livros fantásticos e a academia. Nem mais e nem menos. Eu sei que é entediante, mas diante dos fatos eu estou fazendo até demais.
Um sorriso de quem gosto, e um meu pra quem bem quero.
quarta-feira, 9 de setembro de 2009
Refaço
As estruturas se abalam, mas o mundo não pára. doce ilusão essa de buscar firmeza num tal de congelamento. Pois sim, pois não. Voe assim então. Não me desfaço mais, sou e sou e ponto. Adiante com ideias e sensações, sou e não sou. Deixa que eu me contradiga, não te pedi minhas palavras, não fale por mim.
Levando, levando... Seguindo então assim.
Sem meio, começo, sem fim!
Abalaram as estruturas, mas as essências estão intactas, fecho os olhos e vejo... irônico não? Mesmo quando me perco me acho. Mesmo quando desço, subo. Mesmo quando quebro, refaço.
Luz, força e brilho.
Levando, levando... Seguindo então assim.
Sem meio, começo, sem fim!
Abalaram as estruturas, mas as essências estão intactas, fecho os olhos e vejo... irônico não? Mesmo quando me perco me acho. Mesmo quando desço, subo. Mesmo quando quebro, refaço.
Luz, força e brilho.
quarta-feira, 2 de setembro de 2009
Tudo bem
Amanheceu um lindo dia, mas dentro de mim o sol não queria brilhar. O céu era de um azul celeste e não havia sequer uma nuvem, digno de muita praia, cachoeira e até quem sabe uma piscina. Peguei minha mochila e fui pro inferno. Tempestade minha, grande chuva, tive medo mais uma vez, se única não sei. Toda aquela enrolação que eu mesma faço não me levar a nada... Os ares falsos, os olhares vazios e uma competição que dói à meu ver. Mais algumas horas se foram e eu retorno. Ainda faz sol, muito sol... Ainda faz frio, temporal! Ligo, desligo e finjo haver um alicerce a algumas horas de mim. Nada...
O frio aumenta, aumenta e desmorono, tive hipotermia...
Mensagens, palavras, vazio...
Há quem diga que toda essa arquitetura me segurará, mas é quando há mais frio que derretes lá, não é esse derreter que me envolve.
É um derreter que ao mesmo que quero, me enraivece, sabe-se lá. Não te entristeça!Mas também não desapareça.
Faço copo d'água cair, céu abrir e olhos cerrarem.
Travesseiros, cobertas, e nenhuma, nenhuma comida.
Lágrimas, muitas, e apertões.
Socar-te!Socar-me! Calar-me!
Fingir, há de ser assim.
O frio aumenta, aumenta e desmorono, tive hipotermia...
Mensagens, palavras, vazio...
Há quem diga que toda essa arquitetura me segurará, mas é quando há mais frio que derretes lá, não é esse derreter que me envolve.
É um derreter que ao mesmo que quero, me enraivece, sabe-se lá. Não te entristeça!Mas também não desapareça.
Faço copo d'água cair, céu abrir e olhos cerrarem.
Travesseiros, cobertas, e nenhuma, nenhuma comida.
Lágrimas, muitas, e apertões.
Socar-te!Socar-me! Calar-me!
Fingir, há de ser assim.
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